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Omeprazol causa Demência?

July 3, 2018

 

 

Os remédios chamados inibidores da bomba de prótons (IBPs), como Omeprazol, Pantoprazol, Esomeprazol... etc, estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo e são utilizados para tratamento de doenças relacionadas à acidez gástrica, como refluxo, gastrite, úlcera péptica, dentre outras.

Em geral são bem tolerados pelo organismo, sendo poucas as reações adversas, porém potenciais efeitos colaterais do uso de IBPs foram apontados em recentes pesquisas, ligando-os ao desenvolvimento de demência. Os dados que estão surgindo, sugerem que eles podem não ser tão seguros quanto se pensavam que seriam.

Pesquisadores alemães descobriram que pessoas com 75 anos ou mais que tomam regularmente esses medicamentos tinham um risco aumentado de demência, em comparação com idosos que não usam os remédios. O estudo encontrou, no entanto, apenas uma associação e não um vínculo de causa e efeito.

 

Como os IBPs podem afetar o cérebro?

Alguns medicamentos podem ter efeitos imprevistos sobre enzimas no cérebro, o que pode prejudicar a capacidade das células de quebrar os emaranhados de proteínas prejudiciais que estão relacionados com a demência.

Outra explicação mais simples e previamente conhecida é a diminuição dos níveis de vitamina B 12, que tem sido implicado no declínio cognitivo e na capacidade de raciocínio.

 

A preocupação tem sido crescente entre a população devido ao uso frequente destes medicamentos para tratamento de refluxo ácido, muitas vezes por conta própria e sem orientação médica.

Até o momento não está definido com certeza como os IBPs afetam o envelhecimento do cérebro e não há razão para que as pessoas parem de tomar seus remédios caso esses sejam necessários.

Para alguns pacientes a retirada gradual dos IBPs é uma possibilidade e essa decisão deve ser tomada em conjunto com os médicos.

É importante adotar uma série de medidas comportamentais e alimentares visando reduzir os sintomas de refluxo ácido que incluem: comer pequenas refeições , reduzir o consumo de chocolate e cafeína, evitar alimentos gordurosos ou ácidos, assim como álcool e cigarro. Reduzir o peso corporal e evitar deitar após as refeições também auxiliam no controle da doença.

Embora o estudos sejam intrigantes, não são suficientes para uma mudança radical da prática médica atual, pois eles apresentam limitações.

Uma das principais falhas destes estudos é que os pesquisadores não puderam controlar outros fatores que influenciam no envelhecimento como a dieta, peso corporal e escolaridade dos pacientes. Os autores identificaram diversos fatores de confundimento que também estão associados ao aumento do risco de demência, como a depressão e AVC (derrame), doença cardiovascular, tabagismo, diabetes, utilizar muitos remédios (5 ou mais medicações além do IBP) e o histórico familiar de demência que não foram considerados. Diversos fatores de estilo de vida não faziam parte dos dados avaliados nestes estudos. 

Portanto é complicado provar ou refutar a ligação entre IBP e demência com base nos dados disponíveis

 

O que se recomenda é que a indicação destes medicamentos para uso prolongado, seja amplamente discutida entre os médicos e pacientes. Os que usam as medicações por longo período não devem reduzir a dose, e muito menos suspender a medicação, sem antes conversar com seu médico, principalmente aqueles com problemas esofágicas ou gástricos graves.

Estas informações são importantes pois este assunto é motivo de enorme preocupação e questionamentos na atualidade. Até que mais análises possam elucidar com clareza a verdadeira relação entre o uso de IBPs e a demência, deve-se agir com bom senso. Isto significa, usar a medicação, quando indicada e necessária, nas doses e tempo adequados para cada enfermidade, evitando o uso abusivo e desnecessário.

A Associação Americana de Gastroenterologia publicou em Abril/2017 recomendações na qual afirma que é importante pesar os riscos e benefícios dos IBPs. Orienta que pacientes com complicações relacionadas ao refluxo ácido devem tomar os remédios para atingir a cura, manter a cicatrização e controlar os sintomas a longo prazo, e enfatiza a importância de reavaliações periódicas para que com o tempo, a menor dose eficaz possa ser prescrita para controlar a condição.

É fundamental que os IBPs sejam prescritos e acompanhados por um profissional da área, já que seu uso indiscriminado pode acarretar efeitos colaterais. O omeprazol só vai ser perigoso quando utilizado de forma irregular e sem acompanhamento médico.

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